quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A cara do preconceito

Priscila Mendonça Moura









Aos oito anos
Olhei bem de perto
A cara do preconceito
Década de 90
Em Divina Pastora
Interior de Sergipe
Brincadeira de criança
1, 2, 3... estátua!

Animados
Misturados
Miscigenados

No ludo, era especialista
Em ficar paralisada
Joguinho inocente?
Qual nada!
Logo a visitante
Da família do prefeito
Mostrou em sua ação 
O que é o preconceito.

Menina, branca, abastada
Injuriada por não vencer
Pôs-se em frente
À menina, preta, pobre
E como não conseguia
Fazê-la se mover
Bradou:
Negrinha!

Não sabíamos o porquê
Mas, descobrimos
Naquele momento
Que palavras podem doer
Isso feriu o coração
Da pobre menina
Lágrimas em profusão
Acabou a diversão!

Choro
Fuga
Revolta!

Aquilo doeu tanto em mim
Mas, na vida, não me omiti
Encarei
Dedo em riste
Gritei:
Tenha respeito!
Ela é minha amiga!
O que fez não é direito!

A perversa agressora
Também era uma criança...
E hoje me pergunto:
De onde vem o preconceito?
É uma chaga profunda
Arraigada na cultura
De uma sociedade
Erguida no desrespeito.

Se olharmos bem pra dentro
No fundo de nós
Encontraremos algum vestígio
Que nos foi ensinado
Por algum antepassado
Marcado em nossa alma
Que o diferente é errado
Que deve ser julgado...

É quando se diz:
"Moreninho"
Inveja "branca"
"A coisa tá preta"
"Denegrir"
Cabelo "bom"
Tem "neguinho" que...
Verbalizamos sem perceber

E também questionamos
Que o realmente necessário
É a Consciência Humana...
Meu caro leitor,
Que fique bem claro
Nesse mundo revirado
Todo respeito
Necessita ser reivindicado!