quarta-feira, 14 de agosto de 2019

A outra margem e outras estórias

Priscila Mendonça Moura
















Já me falaram sobre a outra margem
Até acreditei...
Tudo não passa de uma viagem
Que teimamos fantasiar.

Não há outra margem
Nem sei se algum dia existiu
Quando se olha ao longe
Só se vê a linha do horizonte.

Também dizem que lá
É possível sonhar
Já chega!
Hora de acordar.

Valorize o que se tem
Seja grato
Pois, tudo que lhe é devido
Um dia sempre vem.

Sonhar é importante
Livra-nos da escuridão
Mas, é mister discernimento
Para não viver na ilusão.

Ficar à margem
É ver a vida passar
Esperando por um sonho
Que não vai se realizar.

Um comentário:

  1. Nota-se uma angústia, no entrelaçar das linhas do poema, pela [im]possibilidade do autor em aproximar os opostos. Certa vez, li uma definição de Eduardo Galeano [jornalista e escritor uruguaio] sobre utopia e esse afirmava, é como andar em direção ao horizonte, quanto mais andamos menos nos aproximamos dele. Qual a lógica na afirmação, há coisas na vida que não atingiremos pela própria definição e essência em si, mas cabe a nós seguir caminhando em direção. Céu e terra, dia e noite, norte e sul... assim são as margens, não se abraçam, contudo não impede que seu desejo em alcançar o outro lado comprima e oprima os rios, até, quem sabe um dia, ele resolva mudar seu curso e as margens que d'antes era distante se tornem o mesmo lado.

    Bela reflexão, parabéns.

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